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Quando um homem quiser


É assim hoje, um poema que dedico a mim próprio neste espaço, pois é o meu dia de natal, sendo admirador da poesia de José Carlos Ary dos Santos, nada melhor que este poema, para ilustrar o dia 17 de Fevereiro de 2006.


Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Intérprete: Paulo de Carvalho
Música: Fernando Tordo
Letra: Ary dos Santos



Publicado por Albino 11:37 PM

Alcaide, Tomás Aquino Carmelo (1901 - 1967)


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[Traje para o Duque de Mântua em Rigoletto [Objecto]: pertencente a Tomás Alcaide]. - 1 Traje (8 peças) ( Foto: Museu Nacional do Traje )

Como sempre procuro encontrar textos referentes a cidadãos de alguma forma ligados a Estremoz, desta vez chegou um aniversariante nascido a 16 de Fevereiro do ano de 1901. Junto ao lago da gadanha, em sábado de Carnaval nasce uma das nossas mais célebres figuras no mundo da música Portuguesa, Tomás Alcaide, aqui fica a minha referência a este filho de Estremoz, cujo o seu nome está ligado a uma das instituições culturais que tem representado Estremoz pelo mundo, dignificando o seu nome e da cidade que lhe deu o ser. Os textos abaixo transcritos retratam a sua vida, foram retirados da Internet e estão devidamente linkados aos sites de origem.

Referência na Historia de Portugal . tchat.com

Tenor lírico, nascido em Estremoz. Estudante de Medicina, abandonou esta área para se dedicar ao canto, que estudou primeiro em Lisboa e depois em Milão. Estreou-se num clube de Lisboa, como amador com a ópera Bohème.
Partiu para Milão, em 1925, onde cantou na ópera Mignon. Depois de alguns anos de actividade em Itália, em 1930 foi escolhido para cantar o papel de Mascarille, na estreia mundial de As Preciosas Ridículas de F. Lattuada, no Reale de Roma e, depois, na sala do Scala de Milão, onde se manteve em cartaz nos três anos seguintes.
A partir dessa data, o seu nome passou a figurar nos principais cartazes líricos da Europa e EUA, sendo de destacar as suas interpretações nas óperas Fausto, Rigoletto, Manon e Pescadores de Pérolas. Especialista na interpretação de personagens libertinas, o tenor demonstrava, nas suas actuações, uma grande pureza de timbre e uma forte teatralidade. Retirou-se em 1948, pondo fim a uma brilhante carreira internacional.
Tornou-se mestre de canto e de cena da Companhia Portuguesa de Ópera, antecessora da companhia nacional que sempre desejara ver criada.


Referência feita pelo Museu Nacional do Traje

Estudou em Lisboa e Milão, tendo-se estreado nesta última cidade em 1925. A sua carreira estende-se até 1946-47 e desenvolveu-se na Europa, Estados Unidos e América Latina. Na década de 1930 gravou para a Columbia Gramophone Company. Depois de 1947 fixou-se em Portugal, cantando apenas pontualmente, e de 1963 até à sua morte desempenhou funções de professor de canto e encenador da Companhia Portuguesa de Ópera em Lisboa. Distinguiu-se como intérprete do Rigoletto mas o seu repertório incluía outras óperas verdianas, entre elas La traviata, que cantou no Coliseu em 1928-29 e 1929-30.


 História de Portugal- tchat.com

 Museu Nacional do Traje




António Sebastião Ribeiro de Spinola


spinola.jpg Nasceu a 11 de Abril de 1910, em Estremoz, no Alto Alentejo, e faleceu em Lisboa a 13 de Agosto de 1996. Filho de António Sebastião de Spínola e de Maria Gabriela Alves Ribeiro de Spínola. Filho de uma família abastada: seu pai foi inspector-geral de Finanças e chefe de gabinete de Salazar no Ministério das Finanças. Casou, em 1932, com Maria Helena Martin Monteiro de Barros. CARREIRA ACADÉMICA Em 1920, ingressa no Colégio Militar, em Lisboa, para fazer o ensino secundário que conclui em 1928. Em 1928, frequenta a Escola Politécnica de Lisboa. CARGOS DESEMPENHADOS ATÉ À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Colocado inicialmente, em 1928, no Regimento de Cavalaria 4, irá exercer as funções de instrutor, durante seis anos, no Regimento de Cavalaria 7, a partir de 1933, já como alferes. Em 1939, exercerá as funções de ajudante-de-campo do comandante da GNR (Guarda Nacional Republicana), general Monteiro de Barros, seu sogro, e dará início à sua colaboração na Revista de Cavalaria de que é co-fundador. Em 1941, é integrado na missão de estudo do Exército português para uma visita à Escola de Carros de Combate do Exército alemão e à frente germano-russa. Em 1947, é nomeado para uma missão de estudo na Guarda Civil Espanhola, uma vez que exercia funções na Guarda Nacional Republicana. Em 1961, como tenente-coronel, desempenha as funções de 2.º comandante e comandante do Regimento de Lanceiros 2. Com o início da guerra em Angola oferece-se como voluntário e organiza o Grupo de Cavalaria 345. É colocado com a sua unidade, em Angola, em 1961, onde frequenta por curto período um curso de aperfeiçoamento operacional no Centro de Instrução Militar de Grafanil, em Luanda. A sua primeira missão é na região de Bessa Monteiro e mais tarde na região fronteiriça de São Salvador do Congo. Permanecerá em Angola até 1963. Em 1967, é nomeado 2.º comandante-geral da Guarda Nacional Republicana. Em 1968, é chamado para exercer as funções de governador e comandante-chefe das Forças Armadas da Guiné, cargos para que volta a ser nomeado em 1972, por recondução, mas que não aceita alegando falta de apoio do Governo Central. Em Novembro de 1973, é convidado por Marcelo Caetano, numa tentativa de o colocar no regime, para ocupar a pasta de ministro do Ultramar, cargo que não aceita. A 17 de Janeiro de 1974, é nomeado para vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, por sugestão de Costa Gomes, cargo de que é demitido em Março, por se ter recusado a participar na manifestação de apoio ao Governo e à sua política. A 25 de Abril de 1974, como representante do MFA(Movimento das Forças Armadas), aceita do Presidente do Conselho, Marcelo Caetano, a rendição do Governo, o que na prática significa uma transmissão de poderes. Com a instituição da Junta de Salvação Nacional, órgão que passou a deter as atribuições dos órgãos fundamentais do Estado, a que presidia, é escolhido pelos seus membros para o exercício das funções de Presidente da República. Ocupará a Presidência da República a 15 de Maio de 1974, cargo que irá exercer até 30 de Setembro de 1974, altura em que renuncia e é substituído pelo general Costa Gomes. PRINCIPAIS OBRAS PUBLICADAS Por Uma Guiné Melhor, em 1970; Linha de Acção, em 1971; No Caminho do Futuro, em 1972, e Por Uma Portugalidade Renovada, em 1973 , obras reunidas em quatro volumes. Portugal e o Futuro, publicado em 1974. Ao Serviço de Portugal, publicado em 1976. País sem Rumo, publicado em 1978. O marechal António de Spínola ficará para a nossa história como o símbolo da transição dos regimes autoritários de Salazar e Caetano para a democracia pluralista, era a opinião do embaixador Nunes Barata que privou com ele de perto. Uma verdade que não deixa dúvidas. Admirado por uns, odiado por outros, acabou por ser considerado um bom militar mas um mau político. Homem do Exército, fez a maior parte do seu percurso militar durante a vigência do Estado Novo. Começa a destacar-se em 1961, com o início da guerra em Angola, para onde se ofereceu como voluntário. Em Angola, toma consciência de que para vencer a guerra de guerrilha a solução jamais poderia ser militar, mas sim política. Gradualmente faz sentir isto ao Governo. É na Guiné, quando assume o seu governo, que faz essa pressão. A pouco e pouco vai advogando a ideia da constituição de uma federação que poderia ser aplicável aos territórios ultramarinos. O seu livro Portugal e o Futuro expressa bem essas ideias. Ideias de transição, já que não concebiam a concessão de uma independência total aos territórios ultramarinos. Criado dentro dos cânones do regime, em que um dos pilares de sustentação era o império colonial, não conseguiu ultrapassar isto no seu todo. As atitudes que vai tomando depois do 25 de Abril demonstram essa desadaptação. A sua demissão da Presidência da República após a tentativa falhada de golpe da chamada "maioria silenciosa", a 28 de Setembro de 1974, o seu envolvimento na tentativa de golpe militar de 11 de Março de 1975, são exemplos concretos. É ainda um homem de transição quando aceita das mãos, de Marcelo Caetano a transmissão de poderes governativos. Uma situação similar à que já tinha sucedido por altura do golpe militar do 28 de Maio, quando um outro militar, Mendes Cabeçadas, aceita a mesma transmissão de poderes das mãos do Presidente Bernardino Machado. Embora não fosse um democrata de formação, colaborou, no entanto, para o início do processo democrático. O importante papel que desempenhou é oficialmente reconhecido a 5 de Fevereiro de 1987, pelo então Presidente da República Mário Soares, ao empossá-lo como chanceler das Antigas Ordens Militares, e ao entregar-lhe as insígnias da Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, pelos "feitos de heroísmo militar e cívico e por ter sido símbolo da Revolução de Abril e o primeiro Presidente da República após a ditadura". in:

 Presidência da República


M. FÉLIX RIBEIRO


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Continuamos a procurar nomes ligados a Estremoz...
A MEMÓRIA DO CINEMA

Jornalista e investigador do cinema português, Manuel Nunes Félix Ribeiro nasceu em Veiros do Alentejo, a 1 de Março de 1906; faleceu em Lisboa, a 28 de Abril de 1982. Em 1932, formou-se em Medicina e Cirurgia pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Desde muito novo, começou a interessar-se pelo cinema, tendo reunido numerosos elementos, para o estudo e a história da actividade cinematográfica em Portugal. Funcionário público a partir de 1935, no antigo Secretariado da Propaganda Nacional/SPN, esse acervo documental viria a constituir a base da Cinemateca Nacional, de que foi fundador e director desde a sua criação, em 1948; mais tarde, instituição enriquecida com cópias e negativos de filmes, e um outro vasto espólio alusivo. Foi correspondente em Portugal das revistas francesas Cinéa (1923) e Cinémagazine (1926-1928), redactor de Imagem (1928-1931), Cinegrafia (1929), chefe de redacção de Kino (1929-1930), secretário de redacção (1933) e redactor (1940-1942) de Animatógrafo.
Crítico e redactor cinematográfico do Diário da Manhã (1931-1934), dirigiu a página Espectáculos do vespertino Vitória (1946). Foi colaborador de Filmagem, onde publicou uma História Ilustrada do Cinema Português; do Anuário Cinematográfico Português (1946), de A Maravilhosa História da Arte das Imagens (1949) e da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Foi co-produtor do programa Rádio-Cinema (1941-1956), na Emissora Nacional. Tomou parte na elaboração e redacção definitiva da Lei Nº 2027 (1948), que criou o Conselho do Cinema, de que foi vogal-secretário. Durante quatro anos, exerceu o cargo de chefe de repartição da Secretaria de Estado da Informação e Turismo/SEIT (1968) e da Secretaria de Estado da Comunicação Social/SECS (1974). Em 1980, foi nomeado director da Cinemateca Portuguesa e, mais tarde, seu director honorário. Agraciado com a Ordem de Sant’Iago de Espada e com a Ordem do Rio Branco (Brasil). É autor dos livros, entre outros: Pequena História da Imprensa Cinematográfica em Portugal (1941), Panorama Histórico do Cinema Português (1946), História do Cinema Português (1951), O Cinema Português Antes do Sonoro (1968), Subsídios para a História do Documentário em Portugal (1973), Invicta Film - Uma Organização Modelar 1917-1924 (1973), Jorge Brum do Canto - Um Homem do Cinema Português (1973), Louis Lumière - Vida e Obra de Um Inventor (1976), Os Mais Antigos Cinemas de Lisboa 1896-1939 (1978), Filmes, Figuras e Factos da História do Cinema Português 1896-1949 (1983, edição póstuma).


in : IMAGINÁRiO



Publicado por Albino 10:31 PM

Bernardim Ribeiro,(1482? - 1552?)


Como não podia deixar de ser, a minha pesquisa sobre páginas ligadas de alguma forma a Estremoz, encontrou alguém que sendo alentejano, tem o seu nome ligado à nossa cidade e à arte dramática.


Escritor português, cuja biografia se desconhece. Algumas referências na sua obra, que se supõe serem autobiográficas, levam a pensar que seria natural da actual Vila do Torrão (Alentejo), e certas conjecturas feitas a propósito da segunda edição de Menina e Moça apontam para que tenha morrido antes de 1557.

Frequentou a corte, onde foi poeta conhecido, já que figura entre os colaboradores do Cancioneiro Geral de 1516, de Garcia de Resende, e Sá de Miranda refere-se-lhe, em obras suas, como amigo e companheiro de letras, afirmando que, com as suas éclogas, Bernardim foi o introdutor do bucolismo em Portugal. A sua obra mais celebrada é Menina e Moça, de que há três versões. A primeira foi editada, em 1554, em Ferrara, pelo judeu português exilado Abraão Usque, o que apoia a tese de alguns ensaístas, nomeadamente Hélder de Macedo, em Do Significado Oculto da Menina e Moça, acerca do judaísmo de Bernardim Ribeiro. Isto daria à obra, de estrutura aparentemente inconclusa, um significado cifrado que constitituiria a representação esotérica da comunidade judaica no exílio. Tal tese surge apoiada ainda em outros factos da vida do autor, como o seu afastamento forçado da corte, talvez mesmo de Portugal, já que a publicação das suas obras teve lugar em cidades estrangeiras, onde havia comunidades de judeus emigrados. A esta edição de Ferrara seguiu-se a edição de 1557, em Évora, por André de Burgos, e uma terceira, de 1559, impressa por Arnold Birckman em Colónia.

Novela sentimental na linha da novelística peninsular que se desenvolveu por influência de Boccaccio, de temática amorosa e cavaleiresca, com fundo bucólico e autobiográfico (como o sugerem os inúmeros anagramas, quer do nome do autor, Binmarder, quer de pessoas das suas relações, como Aónia ou Avalor), nela se encontra presente uma subtil análise psicológica em voz feminina, eco da tradição galego-portuguesa das cantigas de amigo e precursora do romance psicológico moderno. O amor, trágico, alia-se a um sentimento geral de fatalismo e solidão, numa linguagem que se aproxima sugestivamente do coloquialismo, de extrema riqueza rítmica e lírica. Esta novela, cuja designação desde cedo se popularizou como Saudades, veio influenciar claramente a literatura portuguesa, constituindo um fundo sentimental recuperado e reelaborado posteriormente por vários escritores e, nomeadamente, pelos movimentos romântico e saudosista.

Bernardim Ribeiro escreveu doze poesias menores incluídas no Cancioneiro Geral, a novela Menina e Moça, que inclui três composições em verso (o vilancete Pera tudo houve remédio, a cantiga Pensando-vos estou, filha e o romance de Avalor), cinco éclogas, a sextina Ontem pôs-se o sol e a noute, o romance Ao longo de ua ribeira, e duas cantigas e outras composições incluídas na edição de Ferrara, em 1554, a cargo de Abraão Usque. O romance Ao longo de ua ribeira, única composição portuguesa inserida no Cancioneiro Castelhano de 1550 (segundo Carolina Michaelis), só apareceu publicado com as obras completas do poeta na edição de 1645.

in:

 História universal da literatura Portuguesa




JOAQUIM VERMELHO(*)


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Encontrei este texto nas minhas pequisas pela internet, procurava nomes ligados a Estremoz e como não poderia deixar de ser, aqui fica uma entrevista de 1958 de Joaquim Vermelho, ao jornal Planície colocada a circular pela página BIG BANG cujo endereço está no final do post.

Á PROCURA DA GERAÇÃO PERDIDA


(*) Este depoimento de Joaquim Vermelho foi publicado no jornal «A Planície», 1-10-1958, inserido numa série de entrevistas intitulada À Procura da Geração Perdida

•31 anos. Marçano, empregado de escritório, cobrador, funcionário público nos intervalos da minha preparação escolar. Fiquei-me por funcionário. Nas horas vagas, a colaboração dos jornais e revistas; os versos ; alguns contos; crítica cinematográfica; várias peças; algumas tentativas de teatro infantil; esperiências de teatro adulto com grupos acidentais. Alguns anos de trabalho, na redacção de Brados do Alentejo, mostram-me os bastidores da imprensa de província. Com Marques Crespo e João Falcato colho ensinamentos. Trabalho na fundação do Cine-Clube de Estremoz e defendo ao longo destes primeiros cinco anos a consolidação da sua posição de baluarte de cultura viva num meio hostil. Questões de ordem familiar e económica retêm-me em Estremoz e, se me têm limitado os vôos, jamais calaram ou calarão em mim a ânsia de libertação constante a que me dou através de tudo, a que me dou desde que seja trabalho de espírito, melhoria ou aproximação de indivíduos».

JOAQUIM VERMELHO

AP - Escreves por vocação ou por dever?

JV - Em princípio, por vocação. Hoje, por uma necessidade interior que tem encontrado do lado de fora as maiores dificuldades e entraves, mas donde lhes vem também, e das mesmas, estímulos, embora pareça contraditório, que têm transformado essa vocação natural e necessidade - num dever.

- É um bom ou mau vício esse de escrever ?

- Por vício, entendemos sempre tudo, ou quase tudo, o que é nocivo. Pelo mal que faz ao indivíduo e à sociedade. Um vício é uma escravidão, mas esta de escrever liberta porque preso se encontra o indivíduo que tem algo para dizer e não diz, algo para escrever e não escreve. Os vícios de espírito são positivos porque são uma procura do indivíduo em si ou preocupado com os outros. Como vício, esta espécie é mais nociva no sacrifício para os próprios do que para os outros na parte que lhes exige de sacrifício, de abdicação, mas não será essa abdicação um prazer, esse aparente malbaratar de energias e tempo um revigoramento e uma vitória sobre o rodar ininterrupto dos ponteiros do relógio?

- Gostarias de te profissionalizar como escritor? Como prosador ou como poeta?

- Não entendo bem a profissionalização de todo e qualquer artista. Profissionalizar subentende uma obrigação que parece ter de cumprir-se dentro dum horário. Essa profissionalização poderia ser vantajosa para uns mas perniciosa para muitos outros. Defendo antes que se dê ao intelectual activo lugares na sociedade compatíveis com a sua vocação de defensor das causas do espírito. E há tantos, tantos lugares ocupados por ineptos e incapazes por esse país fora. Um exemplo: muitas das nossas bibliotecas bem precisavam de gente nova à sua frente, integrando-as na dinâmica que pede a sua existência por esse país fora.

Falas-me de poesia e prosa. Francamente que nasci com uma vocação maior para me exprimir em verso. Mas tenho tentado quase todos os géneros. Sou também um grande apaixonado pelas coisas de teatro.

- O ecletismo de géneros e assuntos a que te tens dedicado trouxe-te malefícios ou benefícios?

- Numa terra onde tão poucos somos a dedicar-nos a assuntos de espírito fatalmente que temos que vir a cair nesse ecletismo. Mas, por mim, direi que em tudo o que tenho pegado o tenho feito com a mesma sinceridade com que escrevo versos, com que a dou a meus pais, com que acredito no Homem. É essa crença que me faz desdobrar, multiplicar em mil pequeninas coisas onde deixo sempre um pouco de mim, mas que me faz mestre de tudo e oficial de nada. E assim, sem procurar ser verdadeiramente qualquer coisa, sirvo e defendo a causa espiritual e todos aqueles que me solicitam por ela. Numa época e num país onde a cultura faz sorrir como se fosse uma anedota, este problema de consciência sobrepõe-se-me a tudo o mais e creio que ele devia preocupar um pouco mais os nossos intelectuais e artistas que só trabalham de gabinete.

- Que estímulos tens recebido além da tua própria vontade?

- Bem poucos ou nenhuns. Por detrás dum interesse que surge há sempre uma razão alheia à cultura ou ao espírito. No meio provinciano onde trabalho, isso é regra geral. No entanto, quando me aparece uma boa vontade procuro servi-la. O que é pena é não haver continuidade nos esforços desenvolvidos. Lança-se uma semente aqui, outra ali... Faz-se uma colheita, mas não se torna a trabalhar a terra. Prova-se o pão de muitas qualidades, de tantas, que o público e gente da nossa terra, nem sabe afinal qual é o pão de primeira.

O estímulo, ainda que pareça incrível, já o disse atrás, vem-me das próprias dificuldades que me põem na frente, do próprio divórcio que noto na maioria das pessoas. É um problema de consciência que todo este estado de coisas gera e me faz viver em constante vigília, multiplicar os esforços e malbaratar o meu tempo, alargar o meu «vício». O encontro comigo, para me aproximar cada vez mais dos outros sem que eles se afastem de mim, é a procura, o fim por que caminho e trabalho.

- Em média, quantas horas escreves por dia?

- Quando tenho que comunicar escrevo, falo, sem noção de tempo. Não sei, porque nunca me lembrei de olhar para um relógio, quando tempo demoro e escrever um poema, uma peça, ou qualquer outro escrito. Só dou por ele quando não me realizo. A minha profissão e os extras para o que ela me não dá é que sei quanto de tempo me roubam a essa actividade. E que alegria e prazer encontrar-me com a caneta, não para escrever números e fazer contas, mas para garatujar letras que dêem forma e emoções humanas. Claro que todo o meu trabalho profissional pesa grandemente em tudo que escrevo e faço.

- Os jornais pedem-te colaboração ? E pagam ? Quanto e quais ?

- A colaboração pedida interessa-me pouco. E se não fosse a necessidade de contactar com um público mais vasto, dialogar com ele, daria bem melhor dedicar o nosso tempo a outras actividades do que estarmos escrevendo à procura do termo e da frase que a tesoura não corte, dos assuntos que possam levantar lebres onde nem sequer há moitas para se ocultarem. Pagarem-me colaboração foi coisa que só há bem pouco tempo conheci. Habituei-me cedo a uma coisa que nunca aceitei bem: o silêncio, o não obrigado.

- Livros na gaveta ?

- Não sei se alguma coisa do que tenho escrito poderia valer a pena publicar-se em livro. A grande maioria dela é de circunstância. Versos tenho, que, seleccionados, dariam dois ou três livros. Talvez uma ou duas peças de teatro fossem publicáveis. Talvez umas tantas críticas de cinema e dos problemas do nosso cine-clubismo formassem um volumezinho. Se tiverem validade não perderão com a demora. Pode ser que a oportunidade surja.

- Outras actividades?

- Jornalismo, teatro e cinema, muito e muito da minha vida tem ocupado. Com pouco mais de 13 anos já colaborava em Brados do Alentejo, na redacção do qual vim a trabalhar mais tarde. Depois surgiu uma tentativa de experiência infantil num Asilo em Estremoz. Alguns anos alimentei, através de muitas limitações, essa actividade, que procuro agora continuar um pouco mais consciente dos problemas complexos da mesma.

A luta por um teatro sério aqui, em Estremoz, tem sido intensa. O meio, agarrado à revista e à opereta popularucha, nada mais vê que isso. Esboça-se agora uma pequena reacção que não deixarei de aproveitar. Se existe em Estremoz um grupo capaz de servir uma causa destas por que não deixar trabalhar essa gente... A resposta é sempre a mesma.

A actividade cine-clubista tem ocupado desde há cinco anos a maior parte do meu tempo disponível. Impor um cine-clube, num meio alentejano como Estremoz, sem transigências nem desvios era e é um trabalho difícil. A cultura continua um fantasma que faz sorrir... a ignorância e está cada vez mais atrevida porque tem um grande número de factores a apoiá-la. E as entidades oficiais respondem por um certo fracasso que atinge estas actividades culturais e outras por essa província fora. Outros problemas as preocupam e os de ordem cultural passam por ser os menos importantes, para apoiarem mais generosamente as iniciativas de recreio que denominam pomposamente de culturais. Daí a confusão e a sarcasmo com que o público trata os que pretendem impor toda e qualquer iniciativa cultural pura.

Mas a obra do Cine-Clube de Estremoz, por entre indiferentismos e animosidades de toda a espécie, e de toda a gente, tem prosseguido e o clube, contando apenas com pouco mais de centena e meia de sócios, dos quase trezentos iniciais que teve, é, no movimento qualquer coisa de significativo, cujo estímulo lhe vem mais de fora do que da própria terra.

Claro que estas actividades muito tempo me tiram ao meu prazer de escrever mas não deixam de ser uma maneira de me encontrar comigo próprio e de me aproximar dos outros, de lutar pela crença de que vale a pena acreditar no Homem e trabalhar para o melhorar, lhe dar consciência da sua dimensão real e responsabilidade no Universo.

- Projectos ?

- A publicação de um livro de versos ou de prosa que particularmente me interessava sobrepõem-se agora duas coisas: assegurar a continuidade de obra do Cine-Clube de Estremoz e conseguir despertar o ambiente para o teatro sério, familiarizando o público com clássicos e modernos da arte dramática. Era-ma talvez mais fácil publicar um livro, mas creio que isso será menos importante e com isso beneficiarão também menos pessoas. Em qualquer altura sairá. Uma secção infantil de teatro permanente tenho também em mente. Esquecemo-nos demasiado das crianças embora continuamente usemos a lugar comum de que elas «são os homens de amanhã!». Trabalhar sem desfalecimento, sem arrefecimento, sem desculpas que ocultem preguiças e cobardias frente a dificuldades e limitações que em qualquer ambiente e tempo sempre havemos de encontrar. Lutar contra a divisão e dispersão. E é tanto, tanto como vês, o que ando a pôr em prática há muito : os meus projectos de sempre. Que não me falte a saúde nem a força de vontade para ir desenvolvendo em actos o que defendo quando escrevo. Não, não quero exigi-lo só aos outros. Esta coerência que presa à prática é uma batalha tremenda que não sei onde me levará...■

publicado por

 Big Bang
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Publicado por Albino 07:45 PM

Armando Alves


ArmandoAlvesQuadro14.jpg

 Leilão Tribunal IRAQUE.


Pintor e escultor natural de Estremoz, onde nasceu em 1935.
Estudou no Porto e nesta cidade foi professor na Escola Superior de Belas-Artes. Nos anos setenta fez parte do grupo "Os Quatro Vintes", no qual se incluíam também Jorge Pinheiro, José Rodrigues e Ângelo de Sousa.
Praticando inicialmente uma pintura de contornos neo-realistas, avançou depois para a paisagem abstrata. A sua obra apresenta em alguns trabalhos da década de setenta, claras alusões ao design.
Fez inúmeras exposições individuais e integrou colectivas.
Recebeu vários prémios e encontra-se representado em museus, como o Soares dos Reis, e o Centro de Arte Contemporânea. Tem ilustrado obras de diversos autores.

(in Somlivre)

Fez o Curso de Preparação às Belas Artes na Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa. Completou o Curso de Pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde foi Professor Assistente entre 1962 e 1973. A sua obra tem sido exposta frequentemente no país e no estrangeiro. Está representado em diversas colecções particulares e organismos públicos. Desde cedo ligado às artes gráficas a ele se deve, com a sua actividade, uma profunda renovação e valorização dessa área, já demonstrada na exposição individual que realizou na Escola Superior de Belas Artes do Porto, em 1965, e desde então em outras realizações.

Exposições Individuais

1956 X Exposição Geral de Artes Plásticas , Lisboa, SNBA; Exposição de Arte Moderna , Póvoa de Varzim 1957 Exposição no Clube de Campismo de Setúbal; 1ª Exposição de Artes Plásticas , Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian 1958 11 Pintores Portugueses , Madrid, Galeria Abril; II Salão de Primavera da Costa do Sol , Estoril; VII Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto , Porto; Começa a trabalhar em Artes Gráficas 1959 VIII Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto , Porto 1960 2ª Exposição Extra-Escolar dos Alunos da Escola Superior de Belas Artes do Porto , Porto, Coimbra e Lisboa; IX Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto , Porto; Exposição de Arte Moderna , Amarante; Salão 60 , Porto, Fenianos; Doze Artistas da Metrópole , Lourenço Marques; Festival de S. Lucas , Évora 1961 3ª Exposição Extra-Escolar dos Alunos da Escola Superior de Belas Artes do Porto , Porto, Coimbra e Lisboa; X Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto , Porto; Arte Portuguesa , Antuérpia; Arte Portuguesa , Bélgica, Anvers; II Bienal de Paris – Jovem Pintura, Paris; Exposição de Artes Plásticas (integrada na Queima das Fitas), Coimbra – 1º Prémio de Pintura 1962 Conclui o Curso Superior de Pintura, na Escola Superior de Belas Artes do Porto, com classificação final de 20 valores; É convidado a exercer o cargo de Professor Assistente na mesma E scola; XI Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto , Porto; Exposição de Artes Plásticas , organizada pelo Lusitano Ginásio Clube 1963 Exposição inaugural da Cooperativa de Actividades Artísticas “Árvore“, Porto; XII Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto , Porto 1964 A convite da Fundação Calouste Gulbenkian, efectua uma viagem de estudo a Inglaterra 1965 Primeiro Salão de Primavera , Guimarães; Exposição individual na Cooperativa de Actividades Artísticas “Árvore”; Primeira exposição individual de Artes Gráficas na Escola Superior de Belas Artes do Porto; Viagens de estudo a Espanha e França 1966 Exposição da Fundação Calouste Gulbenkian, Bagdad; XV Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto , Porto; Exposição de Arte Moderna no Cinquentenário da Morte de Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante 1967 Exposição inaugural da Galeria Divulgação, Porto; Exposição de Arte Portuguesa, Bagdad (organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian); XVI Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto , Porto 1968 Constitui o Grupo “Os Quatro Vintes“ (com Ângelo de Sousa, Jorge Pinheiro e José Rodrigues); Os Quatro Vintes , Porto, Cooperativa Árvore e Galeria Domingues Alvarez; Exposição de Arte Moderna , Caldas da Rainha, Museu de José Malhoa; Direcção Gráfica da Editorial Inova, fundada este ano; Dirige graficamente a obra Daqui Houve Nome Portugal (antologia de verso e prosa sobre o Porto, organizada por Eugénio de Andrade, edição especial comemorativa dos 1100 anos da cidade do Porto) 1969 Exposição de homenagem a Souza-Cardoso, Amarante; Os Quatro Vintes , Porto, Galeria Zen; Lisboa, SNBA; Dirige graficamente a obra Cartas Portuguesas atribuídas a Mariana Alcoforado (traduzidas por Eugénio de Andrade, com desenhos de José Rodrigues, edição especial comemorativa dos 300 anos de publicação do texto original) 1970 Os Quatro Vintes , Paris, Galeria Jacques Desbrière; Poster Catarina Eufémia, com desenho de José Rodrigues e poema de Sophia Mello e Breyner Andresen 1971 Direcção gráfica da obra Memórias de Alegria (antologia de verso e prosa sobre Coimbra, organizada por Eugénio de Andrade, edição especial comemorativa do centenário da “Geração de 70“); Direcção gráfica de Ostinato Rigore , de Eugénio de Andrade, cuja capa reproduz um desenho seu; Poster Meditação em Catarina , poema de Egito Gonçalves, com desenho de Augusto Gomes 1972 Dirige graficamente a obra Variações sobre um Corpo (antologia de poesia erótica contemporânea organizada por Eugénio de Andrade, com 26 desenhos de José Rodrigues); Dirige graficamente a obra Versos e alguma prosa de Luis de Camões (antologia organizada por Eugénio de Andrade, comemorativa dos 450 anos do nascimento de Camões); Realiza graficamente a “Biblioteca Camiliana“, dirigida por Alexandre Cabral 1973 Realiza graficamente a colecção de poesia Indícios de Oiro ; Cartaz comemorativo da 1ª Exposição de Ourivesaria Artesanal de Gondomar; Cartaz Nicolau Nasoni Arquitecto do Porto , na come­moração do II Centenário; Colectiva, Porto, Galeria Dois 1974 Cartaz A Vontade Popular , MDP; Ilustra e dirige graficamente O Elefante Cor-de-Rosa , livro infantil de Luísa Dacosta, editado pela Figueirinhas, Porto 1975 Levantamento da Arte do século XX no Porto , Porto, Museu Nacional Soares dos Reis; Poster Povo/MFA (homenagem a Vasco Gonçalves, com desenho de Armando Alves e poema de Eugénio de Andrade); Direcção gráfica da Editorial Limiar, fundada neste ano; Cartaz comemorativo do 53º Dia Mundial da Cooperação; Cartaz Emigrante – Dinamização Cultural; Cartaz comemorativo do Ano Internacional da Mulher; Cartaz comemorativo do Dia Mundial da Infância; Cartaz e cenários para a peça Lux in Tenebris , sobre o texto de Bertoit Brecht, com encenação de Pere Planella, levada à cena pelo Seiva Trupe, Porto; Participação no Mural Colectivo de Viseu 1976 Dirige a exposição e a organização gráfica do catálogo da Exposição dos 30 anos de Eugénio de Andrade, realizada pela Inova, na Fundação Engenheiro António de Almeida, Porto 1977 Dirige a exposição e organização do catálogo da Semana de Colóquios e Cinema dedicada à obra de Virgílio Ferreira, realizada pela Editorial Inova no Ateneu Comercial do Porto; Programa para os concertos de homenagem a Fernando Lopes Graça no seu 70º aniversário; Cartaz para o Campeonato da Europa de Cadetes – Taça Jean Becker – Ténis CTP 1978 Exposição individual na Galeria Jornal do Notícias, Porto, sendo na ocasião publicado pela Editorial Inova um catálogo com ampla documentação iconográfica e crítica; Cartaz e programa para Os Emigrantes , peça de Slawomir Mrozok, encenada por João Lourenço e levada à cena pelo Teatro Experimental do Porto; Poster de Augusto Gomes, com texto de Eugénio de Andrade 1979 Dirige graficamente a última edição da Editorial Inova, Poemas do Último Século Antes do Homem 1980 Direcção gráfica da Editorial Oiro do Dia, sucessora da inova; Realização gráfica, nesta editora, da colecção de poesia Obscuro Domínio e O Aprendiz de Feiticeiro 1981 Exposição individual na Galeria Jornal de Notícias, Porto, sendo por essa altura editado pela Oiro do Dia um álbum com três plaquetas dedicadas a Armando Alves e com desenhos seus: A condição do olhar de Maria Alzira Seixo, A plenos pulmões de Herberto Helder e Armando Alves e a lâmpada de Aladino de Eduarda Chiote; Direcção gráfica do catálogo da exposição retrospectiva dos 50 primeiros espectáculos do Teatro Experimental do Porto 1982 Aspectos da Arte Abstracta 1970-1980 , Lisboa, SNBA; Arteder/82 – Muestra Internacional de Arte Gráfica , Bilbao; Gráfica de Portugal , Berlim, Galeria Am Weldandam; Realiza a exposição O Pintor e a cidade (aguarelas de António Cruz sobre o Porto e outros lugares, na Casa do Infante), e dirige graficamente, na Oiro do Dia, a edição de um álbum com o mesmo título. Dirige graficamente as seguintes edições: Maternidade , de Almada Negreiros, para a Imprensa Nacional; Os Lusíadas , com desenhos de José Rodrigues, para a Livraria Figueirinhas; e Obras Completas de Manuel da Fonseca, para a Editorial Caminho 1983 Exposição de Artes Gráficas, Braga, Museu dos Biscaínhos; 1ª Exposição Nacional de Desenho , Porto, Cooperativa Árvore; Mostra de Artes Gráficas Grafiporto 83 , Porto, Museu Nacional Soares dos Reis – 1º Prémio 1984 Quadros de uma Exposição , Matosinhos, Posto de Turismo da Câmara Municipal; Colectiva, Lisboa, Galeria Altamira (com Jorge Pinheiro, José Rodrigues, Mário Américo e Zulmiro de Carvalho); 15 Artistas Portugueses , Alemanha Ocidental, Goethe Institut; IV Bienal Internacional de Vila Nova de Cerveira , Vila Nova de Cerveira 1985 Colectiva, Lisboa, Atelier 15; Os Quatro Vintes vinte anos depois , Porto, Casa do Infante, com catálogo editado pela Oiro do Dia; Exposição individual de Serigrafias no Museu dos Biscainhos, Braga; Exposição individual de Pintura na Cooperativa Árvore, Porto, com catálogo editado pela Oiro do Dia 1986 Arte Portuguesa , Bordéus 1987 Colectiva de Desenho da Cooperativa Árvore, Porto, Mercado Ferreira Borges; Exposição individual na Galeria Nasoni, Porto; Esteve representado na MARCA 87 , Madeira – Stand Galeria Nasoni 1988 Exposição individual; FIAC'88 , Paris, Stand Galeria Nasoni 1990 Exposição individual Objectos , na Galeria Nasoni, Porto 1993 Exposição individual na Cooperativa Árvore, Porto 1994 7 Artistas Trabalham a Prata , Porto, Galeria ­Santos; Exposição individual na Galeria Degrau Arte, Porto; Zeitgenõssische Kunst aus Portugal , Wiesloch 1995 Exposição de Arte Portuguesa Contemporânea , Amarante e Matosinhos; Bienal Internacional de Arte de Vila Nova da Cerveira , Vila Nova da Cerveira; Exposição individual na Galeria Fernando Santos, Porto; Justiça , Porto, Galeria da Praça; Zeitgenõssische Kunst aus Portugal , Heidelberg e Bona 1996 Dimensão no Desenho , Rio de Janeiro, Paço Imperial; Dez Pintores Portugueses , Zamora, Bienal de Zamora; Exposição individual na Pousada de S. Francisco, Beja; Colectiva, Vila do Conde, Delaunay Galeria de Arte; Colectiva, Lisboa, Associação Nacional de Farmácias 1997 Farmácia , Porto, Galeria da Praça; Exposição individual na Galeria Municipal de Vila Franca de Xira 1997-1998 Dimensão do Desenho , Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Belém, Santos, Niterói, São Paulo, Rio de Janeiro, e Santiago do Chile 1998 Exposição da Cruz Vermelha, Lisboa, Expo'98; Exposição do Prémio Nacional de Pintura António Joaquim (artista de Gaia), Gaia; VIII Cimeira Ibérica , Porto, Cooperativa Árvore 1999 50 anos 50 Quadros – Cores do Porto , Porto, Colégio Universitário; Tesouros de Portugal (integrada nas comemorações do 10 de Junho), Macau; CIRCA 1968 , Porto, Fundação de Serralves (exposição inaugural do Museu de Arte Contemporânea); Trajectos do Sentir , Lisboa, Galeria Domus Vários (exposição inaugural) 2000 1ª Bienal de Pintura Domingos Sequeira , Lisboa, Bairro Alto Galeria de Arte; Exposição individual na Pousada de Nossa Senhora da Assunção, Arraiolos 2001 Porto 60/70 – Os Artistas da Cidade , Porto, Museu de Serralves e Cooperativa Árvore; Artistas do Alentejo , Galeria de Arte Contemporânea EDIA – Empresa e infra-estruturas do Alqueva S.A.; Arte de Vanguarda no Porto anos 60/70 , Porto, Galeria da Biblioteca Almeida Garrett; Exposição individual na Galeria Domus Vários, Lisboa 2002 Exposição inaugural da Galeria «Arte Doze», em Lisboa; Exposição «Cordeiros 2002» Arte Contemporânea, no Centro de Congressos do Estoril; Exposição individual «Os Lugares do Desenho», no Palacete Viscondes de Balsemão, no Porto; XIX Exposição Colectiva dos Sócios da Cooperativa Árvore, no Mercado Ferreira Borges, no Porto; Exposição «Um Sopro de Respiração» (Luisa Dacosta), na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto; Exposição da Galeria «Arte Doze», em viseu 2003 Exposição individual na Galeria das Antas, Porto; Exposição «Viagem Ilha de Moçambique» na Fundação Júlio Resende; Exposição «A Árvore no Porto Arte» Feira de Arte Moderna e Contemporânea; Exposição «Portugal de Relance» A Viagem O Encontro de Dois Povos no Museu Brasileiro de escultura em S. Paulo, Brasil; Exposição «Mestre de Pintura» na Galeria Cordeiros no Porto; Exposição «Artistas Portugueses Contemporâneos», colecção da Casa da Cerca no Palácio da Galeria Tavira, Novembro de 03 a Fevereiro de 04 2004 Exposição «Ilha de Moçambique» Maputo, Moçambique; Organizada pela Fundação Júlio Resende com o apoio da Fundação Oriente; Exposição Individual de Desenho na Casa da Cerca em Almada com apresentação do Cartaz para o Festival Internacional de Almada.

(in: Saomamede.com)



Publicado por Albino 07:32 PM

Anibal Falcato Alves


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O empenhado labor de Aníbal Falcato Alves na divulgação dos saberes e sabores da gastronomia alentejana teve expressão editorial na "Cozinha dos Ganhões" e em "Os Comeres dos Ganhões", que obtiveram o renovado favor do público. Nesta presente edição, uma iniciativa conjunta da Campo das Letras e da Câmara Municipal de Estremoz, procurou-se conjugar matéria de um e outro livro, mantendo, lado a lado, os dados de natureza social e a confecção de receitas culinárias, num volume que, condensando o essencial das matérias já publicadas, tivesse uma dimensão mais apelativa ao seu manuseamento. (…) A palavra "ganhão" deriva do árabe "al-gannam" e chegou até nós através do castelhano "gañan" com o significado de pastor…»

António Simões (do Prefácio)

"E o comer era aquela tal açorda, que não é açorda.
Está aí um velhote, o Jaime, que diz que só comeu uma açorda boa. Foi quando foi visitar uma irmã que estava a servir em Évora. Que então lhe deram uma açorda com água de amêijoas. Com amêijoas e com ovos. Ele não gostava de açorda, mas naquele dia gostou."

Teresa Rosa Pinto, 66 anos, viúva há 28 anos, 3.ª classe incompleta, trabalhadora rural/mulher-a-dias, Pavia.



ANÍBAL FALCATO ALVES (1921 - 1994)

Nasceu em Estremoz, em 1921. Aos 10 anos começou a trabalhar como caixeiro, profissão que conservou durante 40 anos. Fez o curso de canteiro artístico. Em 1971, ingressou no ensino como professor de trabalhos manuais, profissão que abandonou em 1991.
Autor de vasta e riquíssima obra sobre a cultura alentejana, que compreende recolhas gastronómicas e peças de artesanato em madeira e papel, realizou inúmeras exposições na região e no país.
Fundador do Cine Clube de Estremoz, então um dos mais importantes do país, e do Círculo Cultural de Estremoz.
Sócio da Sociedade Nacional de Belas Artes na altura do ressurgimento, bem com da Gravura e da Cooperativa Árvore, na sua fundação.
Foi o primeiro autor português da Campo das Letras onde, em Maio de 1994, editou Os Comeres dos Ganhões - Memórias de Outros Sabores.
Militante do PCP desde a década de 50, teve participação destacada na luta clandestina contra a ditadura fascista e integrou activamente as campanhas eleitorais do General Norton de Matos e Humberto Delgado.
Faleceu em Junho de 1994.

Pode adquirir este livro em :

 SOM LIVRE.



Publicado por Albino 07:17 PM

João Sousa Carvalho


"L’amore industrioso"
Ópera do compositor português, apresentada pela primeira em 1769, é um excelente exemplo da opera buffa italiana utilizada por Amadeus Mozart em "Cosí fan tutte" e "Fígaro". Esta ópera foi descoberta por David Chernaik na Biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda tendo sido apresentada pela primeira vez ao final de duzentos anos no âmbito do Porto - Capital Europeia da Cultura 2001 e na Opera Holland Park, nos Países Baixos.

João de Sousa Carvalho é natural de Estremoz onde nasceu em 1745, vindo a falecer em Lisboa em 1799 ou 1800. A sua produção musical distribui-se por três grandes grupos: música dramática, sacra e profana não dramática. Sousa Carvalho foi protagonista no triunfo da música italiana em Portugal. O compositor foi a figura mais relevante da música portuguesa da segunda metade do séc. XVIII, destacando-se sobretudo no campo da ópera e da música religiosa. Iniciou os seus estudos musicais no Colégio dos Santos Reis Magos, em Vila Viçosa, prosseguindo-os depois em Lisboa, no Seminário da Patriarcal. Em 1761, ingressou no Conservatório de Santo Onofre a Capuana, em Nápoles, a expensas de D. José I. Em 1778, sucedeu ao napolitano David Perez como professor de música dos infantes e como compositor oficial da corte.

No domínio sacro, chegaram até nós 17 obras em manuscritos autógrafos, das quais fazem parte sete missas, três "Te Deum", três salmos, um motete e a oratória "Isaco figura del Redentore".

A produção dramática de Sousa Carvalho inclui cinco óperas e dez serenatas, um género semi-operático de dimensões reduzidas que se executava em versão de concerto. A sua primeira ópera, "Lá Nitteti", sobre libreto de Metastasio, foi representada em Roma, no Teatro delle Dame, no Carnaval de 1766, enquanto as restantes - "L'amore industrioso" (1769), "L'Eumene" (1773), "Testoride Argonauta" (1780) e "Nettuno ed Egle (1785) - foram estreadas em Lisboa nos teatros da corte.

texto de

 Instituto Camões.




Publicado por Albino 05:24 PM

Sebastião da Gama


Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

Nascimento: 1924 Azeitão
Morte: 1952
País: Portugal

Poeta português, natural de Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal. Concluiu o curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1947, e ainda nesse ano iniciou a sua actividade de professor, que exerceu em Lisboa, Setúbal e Estremoz. Foi colaborador das revistas Árvore e Távola Redonda.
Sebastião da Gama ficou para a história pela sua dimensão humana, nomeadamente no convívio com os alunos, registado nas páginas do seu famoso Diário (iniciado em 1949). Literariamente, não esteve dependente de qualquer escola, afirmando-se pela sua temática (amor à natureza, ao ser humano) e pela candura muito pessoal que caracterizou os seus textos. Atingido pela tuberculose, que causaria a sua morte precoce, passou a residir no Portinho da Arrábida, com a panorâmica serra da Arrábida a alimentar o culto pela paisagem presente na sua obra. Foi, entretanto, instituído, com o seu nome, um Prémio Nacional de Poesia.
Estreou-se com Serra Mãe, em 1945. Publicou ainda Loas a Nossa Senhora da Arrábida (1946, em colaboração com Miguel Caleiro), Cabo da Boa Esperança (1947) e Campo Aberto (1951). Após a sua morte, foram editados Pelo Sonho é que Vamos (1953), Diário (1958), Itinerário Paralelo (1967), O Segredo é Amar (1969) e Cartas I (1994).

 
Luis Rodrigues
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Publicado por Albino 08:13 PM